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Portes conforme a morada de entrega

Por que colher começar?

Quatro fios de um lado, oito estaladiços do outro.

Provar os méis raros

Guia do mel raro

Doze momentos para abrandar, observar a textura e deixar cada mel revelar o seu terroir.

Casa francesa independente Seleção e rastreabilidade Expedição a partir de França
Mel raro Graines de Pèlerins servido para uma prova atenta

Graines de Pèlerins

O Guia do Gourmet:
12 momentos para provar de outra maneira

Não é uma lista de receitas. É um convite a abrandar.

O mel raro não se cozinha. Encontra-se. Aqui ficam doze momentos de um dia, doze texturas, doze gestos, em que um mel raro transforma um instante vulgar em algo que não se esquece. Leia devagar. Escolha um. Experimente amanhã de manhã.

Momento 01

A madrugada: a colher que desperta

Mel de Nigela do Egito (cominho-preto)

Antes mesmo do café. Meia colher, tirada do frasco sem ruído. A textura é densa, quase resinosa. Na boca começa amarga e depois derrete: nota de alcaçuz, final longo. Sente-se o dia a começar. Sem palavras, sem ecrã. Só este sabor a dizer: o dia começa aqui.

Momento 02

O chá morno: nunca a ferver

Mel Branco Cremoso do Quirguistão (esparceta)

O erro que toda a gente comete: pôr o mel no chá a ferver. O calor desfaz tudo o que torna precioso um mel raro. Espere. Deixe o chá descer aos 45 °C: quando já o consegue encostar ao lábio sem estremecer. Aí, meia colher de Branco. Derrete numa nuvem cremosa. O chá fica leitoso, suave como um afago.

Momento 03

A tosta: manteiga, pão e depois

O mel do seu estado de espírito

Pão caseiro ligeiramente tostado. Manteiga meio-sal fria, que não derrete de imediato. Depois, sobre a manteiga ainda firme, uma vírgula de mel. Não uma maré. Uma vírgula. O contraste entre o sal da manteiga e a profundidade do mel: é aí que a coisa acontece. Uma dentada. Pouse a tosta. Mastigue. Recomece.

Momento 04

O iogurte: natural, e mais nada

Aromiel de Rosa da Rússia

Um iogurte natural, batido. Sem açúcar, sem granola, sem fruta. Só ele. E ao centro, uma colher de Aromiel de Rosa que afunda devagar. Mexa apenas o suficiente: convém que existam dois mundos dentro do copo. O iogurte ácido de um lado, o Aromiel floral e frutado do outro. A colher navega entre os dois. Cada colherada é diferente.

Momento 05

O molho da salada: o segredo da tasca

Um mel suave, nunca intenso

Na saladeira vazia: uma colher de chá de mel, duas pitadas de sal, uma colher de mostarda. Bata com o garfo até tudo desaparecer. Depois o vinagre e, em fio, o azeite. O mel não se prova: arredonda, envolve, dá idade adulta ao molho. A sua salada nunca mais sabe ao mesmo.

Momento 06

O queijo: a combinação que cala a mesa

Mel de Sidr do Iémen (açofeifa)

Um azul intenso: Roquefort, Stilton, Gorgonzola piccante. Corte um pedaço que se aguente de pé sobre uma bolacha. Por cima, uma gota de Mel de Sidr do Iémen. Nada mais. Trinca-se. Durante dois segundos é o queijo que fala: sal, força, animal. Depois chega o Mel de Sidr do Iémen: madeira, bálsamo, profundidade. Os dois encontram-se e a mesa cala-se.

Momento 07

O glaceado: a carne que se torna um prato

Um mel âmbar, no fim da cozedura

Peito de pato, pato inteiro, frango assado, legumes no forno: tanto faz. Cinco minutos antes do fim, com um pincel, uma camada fina de mel. Nunca durante, nunca no início. O calor residual chega para caramelizar sem queimar. A pele fica brilhante, cor de âmbar, ligeiramente pegajosa. O prato torna-se um acontecimento.

Momento 08

O lanche: a infância, mas melhor

O mel que arranca um sorriso

Quatro da tarde. Não tem fome, mas apetece-lhe alguma coisa. Uma fatia de brioche morna, uma noz de manteiga, mel. Ou então: um quarto de maçã verde, queijo fresco, mel por cima. Três minutos de preparação. Coma de pé, junto à janela. Chega perfeitamente.

Momento 09

A infusão da noite: o gesto do regresso à calma

Mel Branco, Mel de Nigela ou Mel de Sidr do Iémen

Camomila, lúcia-lima, tília, flor de laranjeira. Água a fumegar sobre as flores. Enquanto infunde três minutos, faça outra coisa: acenda a luz quente, pouse o telemóvel longe. Retire as flores. Espere que a taça fique morna. Uma colher de mel. Mexa. Beba devagar. O dia fecha-se em condições.

Momento 10

Puro: à colher, sem mais nada

Todos os méis raros

O mais radical, o mais justo. Uma colher pequena. Mergulhe. Retire. Leve à boca. Feche os olhos. Não mastigue, deixe derreter. Durante 20 segundos não faça mais nada. É assim que os apicultores provam um mel. É assim que se aprende a reconhecer cada variedade.

Momento 11

O gelado: o quente encontra o frio

Um mel âmbar ou o Mel de Sidr do Iémen

Duas bolas de gelado de baunilha: o verdadeiro, de vagem, não o branco insosso. Numa taça fria. Por cima, uma colher de mel sem medo. O frio prende o mel em fios dourados. A primeira colherada é o contraste: o gelado derrete, o mel estala. Junte uma amêndoa tostada e fica uma sobremesa de restaurante.

Momento 12

A água quente: o ritual que se guarda para si

Mel de Nigela ou Mel de Sidr do Iémen

De manhã, antes de toda a gente. Um copo grande de água nem muito quente: morna, apenas morna. Meia colher de mel raro. Mexa devagar, com uma colher de madeira se tiver alguma. Beba de pé, junto à janela, a olhar lá para fora. Sem telemóvel. São três minutos só para si. É o ritual que se consegue manter a vida inteira.

Três verdades sobre conservação

  • Nunca no frigorífico. O frio cristaliza. Guarde-o num armário seco, longe do sol. Aguenta-se anos.
  • Colher seca, sempre. A humidade, mesmo uma gota, pode fazer fermentar um mel cru. A colher tem de estar seca. O frasco tem de fechar bem.
  • Se cristalizar, é bom sinal. Quer dizer que é cru e que não foi aquecido. Aqueça o frasco em banho-maria morno (nunca no micro-ondas) e volta a ficar líquido. O sabor, esse, não muda.

«O mel raro não é um produto.
É um encontro marcado.»

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